Como ser efetivo gerenciando suas forças

Ângela Kafrouni

Você tem dentro de si características incríveis. De acordo com a teoria do LIFO nós não temos defeitos, temos somente forças! Como essas forças vão nos ajudar ou atrapalhar? Isso depende de aprender a usar um botãozinho mágico que faz a regulagem entre o uso produtivo e excessivo das nossas forças.

Organizei aqui para vocês algumas premissas do MÉTODO LIFO – GERENCIANDO SUAS FORÇAS[1]

Com o objetivo de ajudar as pessoas a reconhecer suas forças e gerenciá-las produtivamente, Allan Katcher[2] desenvolveu o método LIFO. O termo LIFO corresponde à contração de “Life Orientations” (Orientações de Vida).

“A fraqueza do homem raramente é mais que o uso excessivo de suas forças”. (Eric From no livro Man for Himself).

Suas fraquezas são o resultado do uso excessivo de suas forças. Para melhorar seu relacionamento com as pessoas você apenas tem que reduzir a freqüência e, talvez, também a intensidade das forças que usa. Naturalmente isso é possível se, primeiro, você puder reconhecer como está usando suas forças e, então, entender os efeitos delas nos outros. O foco não está em mudar sua forma de ser, mas sim em como gerenciar as forças que já possui.

Exemplo: você é capaz de responder rapidamente aos acontecimentos. Entretanto, você sabe que ao tomar decisões rápidas pode se “queimar”. Seu comportamento impulsivo pode levá-lo a deixar de considerar alguns fatos muito importantes. Não é preciso, necessariamente, desenvolver-se como um pensador cauteloso e cuidadoso, mas apenas aprender a desacelerar um pouco em certas circunstâncias.

Caminho:

Refrear esses excessos e ampliar seu foco e analisando a situação de outra forma.

. No exemplo dado, você pode contar com sua equipe, aproveitando as forças de outros participantes (que sejam mais reflexivos) para contribuir com algumas idéias ou pontos de vista a serem considerados antes de agir. Esta é a gestão de suas forças como um caminho para o comportamento efetivo.

Forças e fraquezas não estão separadas: forças como boas e as fraquezas como ruins. Nas culturas orientais, o conceito de yin e yang sugere que todas as coisas vivas contêm os dois elementos.

Forças e fraquezas: você não pode ter uma sem a outra. Nós gostamos de ver membros de nossa equipe atentos e responsivos para os outros; mas, se eles fazem isso em excesso, podem parecer submissos. Mesmo uma desejada quantidade de flexibilidade poderia parecer falta de objetividade. Nesse sentido, utilizarmos uma força que possuímos pode se tornar mais ou menos produtivo, dependendo da intensidade e da situação na qual a aplicamos.

“Nossos excessos podem ser os responsáveis por nossas fraquezas”.

Exemplo: Tiago, conhecido por sua efetividade e responsabilidade no trabalho, é escolhido para um posto de liderança. Logo a seguir o moral entre os membros da sua equipe se deteriora, especialmente entre os supervisores. Olhando mais de perto, vemos que o Tiago tenta fazer tudo por conta própria, tem pouca paciência com os esforços dos outros, raramente envolve os outros no processo de decisão, mesmo os especialistas no assunto. O que aconteceu aqui? Tiago entendeu que sua promoção foi devido a sua efetividade e iniciativa e com isso assumiu que seria esperado demonstrar essas qualidades de maneira ainda mais acentuada em sua nova posição.

 Mesmo em casa, pais devotados podem interferir negativamente no desenvolvimento de uma criança com um comportamento superprotetor; apesar das boas e carinhosas intenções. O impacto é muito além do esperado.

Quais as razões do uso excessivo das forças:  Inicialmente, porque podemos não reconhecer que o comportamento foi excessivo. Se você encontra pessoas ouvindo e rindo de suas piadas, é natural que você continue contando piadas até elas pararem de rir. Pode ser que suas experiências de vida foram positivas ao demonstrar esse comportamento: foi satisfatório, produziu bons resultados e você foi positivamente reconhecido. As estratégias bem-sucedidas nos conferem sentimento de segurança. Por outro lado a presença de comportamentos excessivos pode estar atuando como mecanismo de defesa.

Estratégias para a gestão de forças bem sucedida:

  1. Confirmando – reconhecer o positivo
  2. Moderando – reduzir a ênfase no negativo
  3. Ampliando – apreciar o outro
  4. Unindo – superar ou transpor gaps
  5. Expandindo – manter os olhos abertos para mudança

Portanto para sermos efetivos, precisamos começar conhecendo a nós mesmos, valorizando nossas forças, compreendendo nossos impactos, apreciando nossos sucessos e reconhecendo nossos fracassos.

“Conhece a ti mesmo e nunca conhecerás o fracasso”

(Lao Tzu, sábio chinês).

Precisamos compreender e construir a partir das nossas forças, ao invés de ficarmos atolados numa desestimulante revisão das nossas fraquezas. As pessoas serão mais efetivas e felizes no trabalho e na vida se desenvolverem a capacidade de fazer o máximo com suas forças.


[1] KATCHER, Alan; PASTERNAK, K. Gerenciando suas forças. Tradução Ane Araujo. Rio de Janeiro: Qualitymark: São Paulo: Marcondes & Consultores Associados, 2005

[2] Allan Katcher, doutor em Psicologia, é Presidente da Bcon LIFO International, com larga experiência em desenvolvimento humano, tem sido consultor para muitas das 500 empresas da Fortune, professor em diversas universidades, palestrante em mais de 20 países.

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