“Ei! Vocês estão ai?” Como lidar com a solidão do professor na aula online – WEBINAR FREE

Quem nunca sentiu aquele vazio, ou mesmo se perguntou: “O que estou fazendo aqui”? Olhando para aquele monte de quadradinhos pretos, com nomezinhos, e nada de interação com os alunos numa aula online…

Então, é sobre essa sensação de solidão e o que as ferramentas da Andragogia – ciência da educação de Adultos – nos trazem que Fabrizia e Carmem da SK Aprendizagem vão falar nesse webinar gratuito.

3 de março

Quarta-feira

21h00 

Nosso encontro terá uma hora de duração e vamos aprender juntos:

  1. Será um momento interativo com trocas e relatos de experiências reais e práticas.
  2. Vamos apresentar sobre quais os caminhos e as várias ferramentas que a Andragogia dispõe para a aprendizagem de adultos e quais os pressupostos para sua aplicação
  3. Como identificar os sentimentos, nossos e dos alunos, envolvidos na situação de aula online que resultam na recusa da participação, alheamento e afastamento.
  4. Qual é e como aplicar o 1º Princípio da Andragogia (M. Knowles) na aula online – ferramentas e relatos de casos práticos que já ajudaram outros professores e facilitadores.

 

Contrato de Aprendizagem – O que é? Para quê serve?

É uma construção colaborativa entre o facilitador/professor e seus alunos, que clarifica e define papeis e também os limites. O Contrato de Aprendizagem parte do pressuposto de que o facilitador/professor está aberto a renunciar ao papel de transmissor do conhecimento para uma plateia de ouvintes passivos.

O aprendiz/aluno assume sua responsabilidade pelo seu processo de aprendizagem. É convidado a participar com suas ideias, dúvidas e experiências, que servirão de base para a construção do seu aprendizado.

Todas as relações precisam ser contratadas, e as relações de ensino e aprendizagem se beneficiam muito dessa ferramenta. Faz jus a expressão: “O que é combinado, não sai caro”. O contrato antecipa a solução de problemas antes que surjam. É uma vacina contra conflitos.

O Contrato das relações é objeto de estudo da Análise Transacional, Teoria dos Grupos e Andragogia e vários autores embasam o tema: Eric Berne, David Kolb, Will Schutz, Malcom Knowles, Fanita English, Claude Steiner.

De acordo com Claude Steiner, todo contrato, para ser válido precisa ter presente os seguintes elementos:

  • Consentimento Mútuo
  • Compensação Válida
  • Competência
  • Objeto Legal

A presença desses elementos evita a “Salvação”, e a “Vitimização”. Dois fenômenos muito comuns nas relações de equipe, por exemplo – alguém parece que vai “salvar” a equipe de todos os males e outros parecem ser as “eternas vítimas” de tudo. Se há o contrato da relação, esse fenômeno perde sua força e todos têm responsabilidade.

3 ETAPAS PARA O CONTRATO DE APRENDIZAGEM

Inclusão

  • É uma etapa para as pessoas se sentirem parte do grupo e em geral não se fala do trabalho ainda, mas de como as pessoas estão naquele momento. Quem são elas, o que fazem. Suas preferências, gostos e interesse.
  • “Como estão chegando para essa reunião/trabalho/curso”? Espera-se que as pessoas possam falar do seu estado de ânimo para o evento e que se sintam bem-vindas!

Levantamento de Expectativas

  • É uma etapa para que as pessoas se expressem sobre o que esperam do programa/projeto/curso.
  • O que já sabem sobre o assunto? Que desafios tem enfrentado no seu dia a dia.
  • O que deseja estar apto para fazer depois do curso/projeto que ainda não faz?

Contratar a Relação

O grupo responde a sequência de perguntas:

  • “Que atitudes posso ter que vão atrapalhar o projeto/curso?”
  • “Que atitudes vou ter para neutralizar o que vier atrapalhar?”

Tudo deve ser escrito e assinado pelos participantes. O contrato pode ser revisto sempre que houver dúvidas ou necessidades de novos alinhamentos. Ao tomar consciência do seu poder de atrapalhar e de ajudar os alunos/participantes se tornam co-responsáveis pelos objetivos definidos.

Se você quiser aprender na prática como fazer o Contrato de Aprendizagem e tudo sobre Andragogia, assista nosso webnar nesse Sábado, 16 de janeiro às 10h e faça o curso com a gente.

Fontes e referências:

BERNE, E. O que você dia depois de dizer olá? Nobel. 1988, p. 280.

ENGLISH, F. O Contrato de Três Pontas. Transactional Analysis Journal, 1975, vol.5(4) 383-384

SILVEIRA, L. Contrato para intervenção organizacional em desenvolvimento de pessoas. Revista Brasileira de Análise Transacional -REBAT. São Paulo, 2011, ano XXI, n. 1, abr. 2011.

STEINER, C. Os Papéis que vivemos na Vida. Rio de Janeiro: Editora Artenova, 1976.

KRAUSZ, R. R. Trabalhabilidade. São Paulo: Editora Nobel, 1999

Inclusão em sala de aula online – a construção de caminhos

04 de Setembro de 2020

Ângela Kafrouni

Como fazer a inclusão dos alunos em uma sala de aula virtual? Sabemos da importância do acolhimento, integração dos participantes entre si e a integração desses com a pessoa que está mediando a aprendizagem – o professor. O ambiente psicológico adequado é condição que facilita a aprendizagem.

Nesse momento as calorosas boas vindas, perguntas para conhecer quais as experiências que os alunos trazem e as expectativas do grupo são formas de prover acolhimento. Por outro lado, também é adequado prover respostas sobre como o curso vai acontecer. Como adultos responsáveis, queremos ter informações, que nos permitam exercer autonomia sobre a forma como vamos participar e por esta razão os alunos apreciam ser esclarecidos sobre quais os objetivos do curso, conteúdos, metodologias utilizadas, avaliação da aprendizagem, entre outras. Faz parte ainda desse momento de inclusão, convidar os participantes a refletirem sobre a sua contrapartida e se comprometerem para que a aprendizagem aconteça. Por último, uma boa medida é deixar tudo registrado como um contrato entre as duas partes desse processo, quem ensina e quem aprende

A psicologia humanista, na voz Carl Rogers, Linderman e Andragogia de Knowles, há muito já enfatizam a participação e envolvimento completo de quem aprende, na sua inteireza, não só o intelecto, mas também seus sentimentos, experiências, autoconceito de adulto que é atuante no processo.  Mas agora a pergunta é: como conseguir isso com alunos conectados em uma plataforma virtual de ensino e aprendizagem?

Estamos vivendo um novo cenário, no qual o ensino on line não tem sido uma entre muitas opções de aprendizagem como ocorria antes de 2020. Atualmente pessoas que provavelmente não escolheriam esse formato e que talvez não tenham tanta afinidade com tecnologias estão se vendo diante de plataformas digitais, muitas vezes sem estarem equipados com tablets ou notebooks competentes, bons hábitos para estudo on line, boa conexão de Internet, espaço adequado para estudo.

Uma situação que causa obstáculo ainda maior, a “bi-pessoalidade”, a pessoa quer dar conta de participar em duas reuniões ao mesmo tempo, está na aula e na reunião com a equipe de trabalho. Poderia mencionar também o aluno que está “bi-partido”, está fazendo duas tarefas que não se combinam, está dirigindo na auto-estrada enquanto tenta participar da aula pelo celular, com a atenção no tráfego, ouvindo fragmentos dos exercícios realizados em sala por causa da queda de sinal na estrada.

Como lidar com tudo isso e fazer do ensino on line uma experiência de aprendizagem significativa a partir desta primeira fase de acolhimento e contrato? Como promover essa integração quando os alunos demonstram timidez, não se expressam e permanecem com as câmeras fechadas? Estamos percebendo essa situação descrita como evento recorrente em nossas salas de aula e quero compartilhar alternativas que estamos utilizando.

Em primeiro lugar vamos nos lembrar de um comportamento comum, você chega para conduzir um workshop ou ministrar uma palestra e as pessoas estão sentadas nas últimas fileiras. Não é raro o palestrante convidar as pessoas para se achegarem a frente e elas decidirem permanecer atrás mesmo. Então qual a surpresa que no espaço on line os participantes estejam com as câmeras fechadas? É a versão on line que traduz a escolha de sentar no fundão.

Como compreender essa situação para poder lidar com ela? Proponho um encaminhamento em duas direções:

  • primeiro o olhar para si
  • em segundo lugar um olhar para o grupo de participantes.

Importante começar entrando em contato para identificar qual o sentimento que se instala em você professor. Que tal refletir sobre isso? Não posso controlar se eles estão participando ou se estão fazendo outra atividade. Seria incômodo por não ser possível exercer controle? Por que eu me sinto na responsabilidade de controlar? Como eu lido com situações que fogem do meu controle?

Ou seria necessidade de receber feedback? Porque quando eu estou vendo meus alunos eu noto que alguém abriu a boca sinalizando cansaço ou enfado, expressões faciais de concordância, apreço, entre outras. Que alternativas tenho para receber feedbacks no ambiente virtual?

Quanto ao olhar para o grupo de participantes, é bom lembrar que um estrategista muda o caminho e os meios para chegar a um destino, mas não muda o destino, ou o objetivo a ser atingido. Da mesma maneira a necessidade de buscar a inclusão persiste, o que vai mudar são as formas de trabalhar essa inclusão.

Ainda na construção desse caminho, vou compartilhar aqui como estou lidando com essas questões. Normalmente em capacitações, eu costumo trabalhar os aspectos do contrato no primeiro encontro. Percebi que precisava ajustar o tempo, não seria possível propor contratos quando não conseguimos inclusão. Então segui trabalhando a integração deles em subgrupos menores em salas simultâneas. Também utilizei exercícios onde eles puderam dar respostas em plataformas de interação, que possibilitam interações com grau menor de exposição.

Fui caminhando em passos mais lentos nessa inclusão, a cada encontro um fortalecimento dessa relação e planejei para a terceira aula o fechamento dos combinados: os procedimentos a serem adotados e a contrapartida deles. Para refletir sobre essa contrapartida convidei a pensar sobre a reserva de tempo na agenda para o horário de aula e a estabelecer bons hábitos de estudo. Esse foi o momento falar sobre a criação de novas maneiras de se comprometer com o que deseja aprender.

Para a necessidade de receber feedback sobre o acompanhamento da aula, eu fui clara e mencionei que precisava ter esse retorno porque tenho interesse em fazer a minha parte para que a aprendizagem aconteça. Eles prontamente responderam as perguntas que fiz pelo chat. Entendi que posso buscar e acolher outras formas de participação.

E assim seguimos, com a segurança de estar apoiada em conceitos sólidos sobre a aprendizagem é possível experimentar alternativas e encontrar caminhos que atendam às demandas do cenário atual, sempre de forma responsável.

Quando o adulto é aluno?

 

25 de Agosto de 2020

Carmem Maria Sant’Anna

O Autoconceito do aprendiz adulto

A Experiência de dar aula para adultos tem algumas delicadezas que chamam a atenção.

Como dar aulas para o público adulto saindo do paradigma do ensino tradicional?

O adulto tem uma caminhada de vida pela experiência que adquiriu. Cuida de sua família, educa seus filhos. Compra e vende, vota, atua na sociedade como cidadão. Desenvolveu um autoconceito de si mesmo como alguém apto para conduzir sua vida com responsabilidade e autonomia.

No contexto atual cada vez mais as salas de aulas no ambiente corporativo e educação formal são compostas por adultos e profissionais que são público dos programas de T&D, atualização profissional e cursos de novos processos nas empresas.

O que acontece às vezes quando esses adultos são convidados a participar de cursos e treinamentos no papel de aluno? Temos a sensação que em alguns casos eles parecem entrar numa confusão: “Como ser aluno se sou adulto?”. Não nos parece que esse seja um pensamento consciente.  Qual a origem desse pensamento paradoxal?

Em nossa experiência temos notado comportamentos de alguns adultos em sua chegada à sala de aula que nos permitem formular a hipótese de que tem a ver com memórias estressantes de ambientes convencionais em sala de aula, treinamentos e ambientes de aprendizagem onde foram tratados como dependentes ou como crianças.

Atitudes como brincadeiras barulhentas, desorganização ao encontrar um lugar para se sentarem piadinhas e implicâncias com colegas, agitação que parece revelar ansiedade e desconfiança. No primeiro momento dá a impressão de que esses adultos voltaram à sua infância. A pergunta que talvez, sem entender muito bem, queiram responder é: “Como devo me comportar em sala de aula? Como aluno(criança) ou como adulto?”.

Antes de entrarem na sala de aula podem ir com um pensamento: “Acho que vai ser muito chato ficar o dia todo aqui nesse lugar”. Entram apreensivos e encontram um professor fazendo longas exposições de cima de um tablado diante de uma turma de participantes sentadas um atrás do outro. Ou uma vídeo aula composta de intermináveis slides. Pronto! Suas suspeitas se confirmaram! “Vai ser chato”.

O facilitador habilitado a trabalhar com adultos faz um manejo em sala que desconstrói as suspeitas dos alunos a partir de novos paradigmas, levando em conta princípios da Andragogia.

Dicas práticas para ajudar os alunos a se localizarem em sua identidade de adultos:

  • Prepare um clima acolhedor com a sala arrumada em círculo. Primeiro impacto!
  • Respire fundo para baixar sua própria tensão.
  • Receba seus alunos com bom humor e tranquilidade.
  • Fale baixo e pouco.
  • Trate-os com naturalidade reconhecendo que se trata de um momento passageiro.
  • Cumprimente-os com respeito e interesse fazendo perguntas simples para fazer a inclusão deles tais como: “como está chegando?”; “seja bem-vindo!”
  • Demonstre com suas palavras e conduta que os recebe como adultos que são.
  • Construa de forma colaborativa o Contrato de Aprendizagem.

Saiba que com essas estratégias os alunos tenderão a vencer sua ansiedade e você também! A partir daí há alta probabilidade de boas condições para conduzir a aula contando com a colaboração de todos por estarem convencidos de que podem ser alunos e também adultos a partir dos paradigmas da Andragogia.

Gostaria de saber mais como fazer para aplicar os princípios da Andragogia? Venha fazer o curso de Andragogia.

Já pensou em vir para a área de T&D?

18 de agosto de 2020

Fabrizia Rossetti

Muitos alunos do MBA de Gestão de Pessoas mencionam o quanto gostariam de ampliar ou mesmo mudar suas trajetórias dentro da área de Recursos Humanos, através de uma migração para a área de Treinamento e Desenvolvimento. Alguns começaram no Recrutamento e Seleção e outros ainda estão no início de suas carreiras, oriundos de formações como Psicologia, Administração e Gestão de RH. A trajetória de carreira de cada um tem suas particularidades, e o desejo de vir para essa área que lida com a Aprendizagem de Adultos é muito frequente.

Quero apresentar aqui alguns desafios de reflexão para os que já pensaram em migrar para a área de Treinamento e Desenvolvimento. Atuo nesse segmento há mais de 20 anos e já acompanhei a migração de carreira, como mentora, de uma dezena de profissionais e acho válidas as seguintes perguntas:

  1. Qual a mais significativa experiência de aprendizagem que você se lembra?
  2. Quais os sentimentos que essa experiência de aprendizagem traz para você até hoje?
  3. O que você diria para as empresas que investem em Treinamento e por quê?

Para atuar na área de Treinamento e Desenvolvimento é necessário antes de tudo sentir em si mesmo que a Aprendizagem acontece através das conexões que formamos com o conhecimento e com as pessoas no processo de aprender. A Andragogia – que é a arte e a ciência de apoiar a aprendizagem de adultos – já estabeleceu as bases ao apontar para o aspecto Vivencial da aprendizagem, da qual derivam inúmeras metodologias e técnicas de hoje (metodologias ativas, p.ex).

É difícil alguém se lembrar de um incrível “ppt” ou de uma intrincada técnica, ou ferramenta da qual participou em alguma aula, mas um professor ou facilitador e mesmo nossos colegas de treinamento podem nos marcar por muito tempo, pois se conectam aos nossos sentimentos. Muitas dessas experiências de aprendizagem, inclusive, não se completaram dentro da sala de aula, naquela carga horária apertada do treinamento, mas fizeram sentido na sua aplicação prática posteriormente.

Acredito que se conseguirmos entender o sentido das experiências de aprendizagem para nós, respondendo as duas primeiras perguntas, seremos capazes de responder a terceira pergunta que é um dos maiores desafios dos profissionais da área de T&D: garantir investimentos em treinamento com entregas consistentes. Se quisermos vir pra a área de Treinamento precisamos nos sentir capacitados para despertar em outros, paixão semelhante e ao mesmo tempo convencer racionalmente com números, dados e fatos sobre os resultados que podemos trazer para as empresas.

Se é isso que você deseja fazer na sua história de vida, mais do que apenas da sua carreira, você está pronto para começar a dar os passos para vir para a área de T&D com muito esforço e labuta. De modo prático, existem 3 coisas que você pode fazer para seguir em frente:

3 coisas que você pode fazer para ir para T&D:

  • Converse com seu Gestor
    • Falar com alguém mais experiente e compartilhar sua vontade de assumir mais desafios são sempre ótimas ideias para ampliar os horizontes e começar a mover as coisas. Isso não significa receber uma promoção, mas significa dizer que está aberto a receber feedback na direção que deseja seguir.
  • Invista na sua qualificação
    • Há uma ampla gama de leituras e cursos de curta e longa duração disponíveis com acesso facilitado no ambiente digital com possibilidade de menor investimento de tempo e dinheiro. A formação em Andragogia é uma indicação.
  • Adquira experiência sendo voluntário
    • A aquisição de experiência é uma das mais difíceis etapas na hora de migrar de área, por isso vale se oferecer como voluntário, dentro ou fora de sua empresa, inicialmente, para observar grupos de treinamento e realizar tarefas operacionais até dominar mais o assunto.

E se alguém atrapalhar sua aula online

Carmem Sant’Anna

11 de agosto de 2020

Outro dia um participante nos perguntou: “o que fazer se durante uma aula online passar pela frente da câmera de alguém uma pessoa que acaba de sair do banho, por exemplo”? “Ou um participante tiver acesso a algum recurso da plataforma e postar no meio da aula uma imagem ou informação que provoque aquele constrangimento”?

Bem lembrado! Situações imprevistas podem acontecer em ambientes de sala de aula, tanto no modelo presencial como virtual. A questão levantada pelo participante foi oportuna porque estávamos falando da ferramenta da Andragogia – Contratos/Combinados.

Estávamos conversando sobre as ideias de alguns autores que tratam do conceito de “Contrato de Aprendizagem” visto na Andragogia como estratégia de preparo do aluno para a sua participação ativa como corresponsável pelo seu processo de aprendizagem.

A conversa girava em torno do fato de que o facilitador habilitado a trabalhar com adultos, conta com apoio teórico suficiente para conduzir o processo levando os alunos a descobrir que ser “aluno” enquanto adulto é diferente. Por quê? Porque o aluno é convidado a refletir e discutir com o facilitador e seus pares sobre sua experiência, a pensar sobre si mesmo e seus objetivos de aprendizagem. O aluno é convidado a assumir sua responsabilidade pelo que vai aprender de forma ativa assumindo o papel de protagonista de sua própria aprendizagem.

O participante, porém, trouxe um olhar que merece nossa atenção como facilitadores de grupos virtuais. Em nossa experiência temos notado que a elaboração de contratos claros antecipa a solução de problemas, tais como os de convivência em grupo, sobretudo em ambientes online com interações fluidas e ainda pouco debatidas entre nós, facilitadores, sempre sujeitos a vivenciar situações como as mencionadas no início desse artigo.

É no momento da construção colaborativa do contrato que é combinada a forma como cada um assume sua responsabilidade de se relacionar com os colegas, com o facilitador e o ambiente, seja presencial ou virtual. Combinar o que é, e o que não é permitido, para que os objetivos da aprendizagem sejam atingidos. Cada um é responsável para fazer valer o que for combinado.

Assim, sempre faça Contratos / Combinados em suas aulas online e quando for fazer lembre-se do seguinte:

  • Alinhar as expectativas dos participantes. Perguntas tais como: “O que já sabem sobre o assunto da aula?”, “O que esperam levar dessa aula?” Momento oportuno para esclarecer o que será e o que não será tratado no curso. Isso evita investir tempo demais para falar do que eles já sabem.
  • Contrato colaborativo. Como fazer para que as pessoas que estão em sua sala entendam que elas precisam interagir e participar? Dicas práticas: Proponha que discutam em subgrupos e listem atitudes e comportamentos que respondam às perguntas:
    • “O que eu vou fazer para facilitar minha aprendizagem nesta aula?”
    • “O que eu posso fazer para dificultar minha aprendizagem nessa aula?”

Essa discussão entre os pares, evidencia que eles têm poder para impactar tanto para o sucesso como para o fracasso de sua aprendizagem.

  • Coloque o participante no foco. Nessa etapa do contrato, que sempre deve ser no início da aula ou curso, é essencial que os participantes tomem a palavra e tenham sua fala valorizada por você, facilitador. Esse movimento tem muito poder, pois significa que você está dizendo de modo subliminar: “Eu NÃO estou no FOCO. Estou jogando luz no participante”. Essa atitude pode inspirar respeito e fazer com que se sintam respeitados como Adultos.

Algumas vezes quando apresentamos as dicas acima, alguns participantes perguntam: “Mas toda essa discussão não parece enrolação? Não é perda de tempo?” A resposta é: não é perda de tempo, nem enrolação.

O contrato feito dessa forma é ganho de tempo e energia do grupo. Antecipa a resolução de problemas antes que eles ocorram. Serve para dar o tom de um clima de confiança, compromisso e corresponsabilidade. Eleva a qualidade das relações interpessoais e define papeis.

O contrato é uma ferramenta que pode ser revisada a qualquer momento visando o melhor resultado da aula e serve de base comum de compromisso para todos quando as dúvidas surgirem. E claro, nada impede que ele ser quebrado de vez em quando e você simplesmente de boas risadas junto com os alunos em situações que vão estar fora de controle, pois a Andragogia é VIver o processo e não PREver tudo.

Quer saber mais sobre a ferramenta Contrato? Faça o curso de Andragogia com a gente.

Referências:

KOLB, David Allen. Psicologia organizacional: uma abordagem vivencial. São Paulo: Atlas, 1978. p. 32.

KNOWLES, Malcolm. Aprendizagem de resultados: uma abordagem prática para aumentar a efetividade da educação corporativa. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.

 

A aula online pode ser acolhedora

Fabrizia Rossetti

Quem já não se sentiu frio e distante olhando para a tela com os quadradinhos das plataformas de videoconferência? Ou ainda, ansioso e pensando: o que farei para acolher os participantes que virão para minha aula, e que chegam através de notificações na tela?

Essas sensações derivam, em parte, do fato de que a dimensão de espaço e tempo nas aulas online precisam ser reconfigurada. E ainda não fizemos isso, pois como humanos não temos um painel de configurações, mas um complexo sistema de adaptação que funciona na dimensão da aprendizagem.

Assim, vamos pensar no acolhimento dos nossos participantes de aulas online. Um bom acolhimento trará melhor efetividade do aprendizado e desde essa etapa o processo deve ser pensado. Em nossa visão, as aulas online com a abordagem da Andragogia podem ter acolhimento, diversão e atrair os participantes.

Agora, se a aula usar as plataformas de videoconferência, mas os Elementos da Andragogia não estiverem presentes, pode ser que lembre muito os modelos antigos e tradicionais de aula: os alunos numa posição de dependência de um professor que ensine, sem assumir o papel de adultos questionadores autodirigidos.

No modelo da Andragogia o participante de uma aula por videoconferência é impactado com uma abordagem diferente daquela em que está acostumado. As ferramentas que estimulam a interatividade podem auxiliar e precisam estar ancoradas no Processo do Grupo não servindo apenas como elemento de entretenimento.

O Primeiro Elemento da Andragogia criado porMalcolm Knowles (2009, p.123) é a principal dica para o melhor acolhimento e adequar as ferramentas disponíveis para as aulas online:

1º ELEMENTO à Preparar o Participante (Aprendiz)

  • Forneça informações.
  • Prepare para a participação.
  • Ajude a desenvolver expectativas realistas.
  • Comece a pensar nos conteúdos.

O QUE ISSO QUER DIZER NA PRÁTICA:

  • Forneça informações – Todas as informações sobre a aula, desde conteúdo, duração e formas de acesso que minimizem enganos e desgastes. Pense na experiência do participante, mas não perca de vista o processo do grupo que encontra soluções juntos. Todos esses manejos ajudam o aluno adulto a se situar da melhor forma dentro do espaço [virtual] no qual vai acontecer a aula.
  • Prepare para a participação – Esse preparo do aluno começa com a forma como são recebidos em sala. Quando fazemos a proposta do contrato de aprendizagem estamos preparando o aluno para se autodirigir, isto é, para aprender a aprender, a aprender a conviver em grupo, a partilhar suas ideias em público e colaborar no processo de troca de experiência e construção do conhecimento.
  • Ajude a desenvolver expectativas realistas. O que irá de fato acontecer na aula. Não venda na sua fala inicial o que não pode entregar durante aquele período de tempo. Esse tópico será aprofundado num artigo posterior sobre Contrato de Aprendizagem e já é possível perceber que nada é mais frustrante do que dispender horas diante de uma aula ou live e só ao final descobrir que o assunto desejado nem iria ser tratado.
  • Comece a pensar nos conteúdos. Sim, isso mesmo. Os conteúdos na Andragogia são previamente pensados e preparados pelo instrutor, mas deve existir um espaço de flexibilidade para adaptar aos interesses e necessidades do aprendiz em tempo real durante a aula. Do contrário a dispersão será inevitável.

A aplicação da Andragogia em aula online não á apenas a tentativa de reprodução, pura e simples, de um modelo presencial para a realidade à distância. Significa a adoção de uma conduta do instrutor que está disposto a colocar os participantes como foco do aprendizado.

Quer saber mais sobre isso? Faça o curso de Andragogia com a gente.

Referência: KNOWLES, Malcolm. Aprendizagem de resultados: uma abordagem prática para aumentar a efetividade da educação corporativa. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.

Análise Transacional e a Teoria da Complexidade

NO 25º CONBRAT – Congresso Brasileiro de Análise Transacional, com o tema Diálogos Construtivos: pontes entre o simples e o complexo, Carmem Sant’Anna falou sobre os pontos de contato da Teoria da Complexidade de Edgar Morin e a Análise Transacional.

 A Análise Transacional é um fundamento teórico para o educador sustentar sua ação educativa, criando pontes entre o simples e o complexo. Os fundamentos da Teoria da Complexidade apontam para  a necessidade um ensino capaz de migrar do modelo de separação das disciplinas para um que promova a capacidade de se relacionarem e se comunicarem em seus diferentes aspectos. Apenas uma abordagem integradora da educação pode fazer frente aos desafios de nossa Era fragmentada e complexa.

Confira aqui o texto na íntegra.

Andragogia e Análise Transacional

Andragogia e Análise Transacional

Andragogia “é a arte e a ciência de orientar adultos a aprender”, M.Knowles. Andragogia na essência é um estilo de vida, sustentado a partir de concepções de comunicação, respeito e ética, através de um alto nível de consciência e compromisso social. Esta definição coincide com princípios e objetivos da teoria da Analise Transacional tais como: Autonomia que baseia-se no fato de que toda pessoa pode aprender a confiar em si mesma, a pensar por si mesma, a tomar suas próprias decisões e a sentir e compartilhar suas emoções. Conforme diz Dr. Berne autor da teoria, uma pessoa verdadeiramente autônoma é aquela que conseguiu “liberar ou recuperar três capacidades. 1) Consciência significando que alem de conhecer a si mesma, a pessoa consciente conhece de tal modo sua história passada que está apta a não repeti-la. Ela usa seus sentidos a fim de estar em sintonia com os acontecimentos atuais de sua vida. Tem liberdade para sentir e experimentar por si mesma. Sua mente e seu corpo trabalham em uníssono. 2) Espontaneidade: A pessoa espontânea está apta a fazer opções. Tem suficiente autonomia para escolher seu comportamento a partir de qualquer um dos seus estados de ego. Seleciona apenas o que é construtivo em sua programação passada e se desfaz do que é destrutivo. Ela pode crescer e mudar dentro de qualquer situação, e… Intimidade significa. Que a pessoa autônoma pode ser aberta e autêntica consigo e com os outros. Não teme sua transparência. Tem capacidade para viver momentos de sinceridade, carinho e afeto com os outros, ou seja, e capaz de conviver numa posição existencial OK/OK que permite relacionamentos construtivos e gratificantes baseados no respeito mútuo. O que tudo isto tem a ver com a Andragogia?

A Andragogia é definida por Lindeman : “A educação de adultos representa um processo através do qual o adulto se torna consciente de sua experiência e a avalia. Para fazer isso ele não pode começar a estudar “disciplinas” na esperança de que algum dia essas informações sejam úteis. Pelo contrário, ele começa dando atenção a situações onde ele se encontra, a problemas que trazem obstáculos para sua auto-realização. São usados fatos e informações das diversas esferas do conhecimento, não para fins de acumulação, mas por necessidade de solucionar problemas.” Essas idéias evoluíram e formaram um “Modelo integrado de aprendizagem de adultos”.

Dentro desta definição foram destacados as seguintes suposições básicas de Lindeman em 1926:
Os adultos são motivados a aprender conforme vivenciam necessidades e interesses que a aprendizagem satisfaz; A orientação dos adultos para a aprendizagem é centrada na vida; A experiência é a fonte mais rica para a aprendizagem dos adultos; Os adultos tem profunda necessidade de se auto dirigir; As diferenças individuais entre as pessoas aumentam com a idade.
Com isto em mente ao formular seus programas de T&D os docentes tem como recursos os seis princípios da Andragogia e procurar responder algumas perguntas que estão implícitos nestes princípios a saber:

1) Necessidade de saber. Precisamos responder a pergunta : Porque preciso aprender o que você está querendo me ensinar?
2) O autoconceito do aprendiz, a pergunta que está na mente e no coração do aprendiz é: Como posso ser independente e aluno? “Os adultos possuem em autoconceito de ser responsáveis pelas próprias decisões, pelas próprias vidas. Dessa forma, desenvolvem uma profunda necessidade psicológica de serem vistos e tratados pelos outros como capazes de se autodirigir. Eles se ressentem e resistem a situações nas quais percebem que os que os outros estão impondo suas vontades sobre eles. Isso traz um sério problema para a educação de adultos, pois o adulto, quando participa de alguma atividade educacional ou treinamento, regride ao condicionamento de suas experiências escolares anteriores, coloca o chapéu de dependente, cruza os braços, enconsta-se na cadeira e diz “me ensine”. Essa suposição da necessidade de dependência, aliada ao tratamento dos adultos como crianças pelo facilitador, cria um conflito dentro do adulto entre sua crença de que o aprendiz é um ser dependente e sua necessidade psicológica de se autodirigir.” (lab.ssj pocketlearning
3) Se o facilitador tem os conhecimentos da teoria da Análise Transacional tem um excelente recurso para entender como sua postura contribui para este comportamento do aprendiz e o que fazer para evitá-lo.

Os demais princípios são:
(3) O papel da experiência; (4) Prontidão para aprender; (5) Orientação para a aprendizagem; (6) Motivação.

No painel foram apresentadas algumas conclusões indicadas pela prática

– O modelo andragógico é um sistema de elementos que pode ser adotado ou adaptado por completo ou em parte. Não se trata de uma ideologia que deve ser aplicada totalmente e sem modificação. Na verdade, uma característica essencial da andragogia é sua flexibilidade.
– O ponto de partida apropriado e as estratégias para a aplicação do modelo andragógico dependem da situação.
– O modelo andragógico não se encaixam a todas as situações ou pessoas e não exclusivo para adultos.
– As diferenças individuais e situacionais modificam os objetivos e propósitos para a aprendizagem.

Estratégias de T&D com maior probabilidade de sucesso: – Metodologias participativas:
– Modelo Andragógico
– Educação de Laboratório
– Compreensão da dinâmica grupal que se instala durante o processo de ensino aprendizagem.
– Conhecer e aplicar os conceitos da AT . O professor tem opções para criar um ambiente que permite o adulto a participar ativamente do seu processo de desenvolvimento mediante a compreensão e escolha consciente de mudança de fatores pessoais, emocionais e de conduta numa relação OK/OK.
As questões apresentadas no painel bem como a forma de atuar na prática andragogica em sala de aula podem ser desenvolvidas mediante programas de Capacitação do docente desenvolvidos pela Professora Carmem e seus parceiros

Apredizagem em Grupo e o Desenvolvimento de Competências Pessoais

O mundo contemporâneo sofre transformações que intervêm nas várias esferas da vida provocando mudanças econômicas, sociais, políticas e culturais, exigindo um novo perfil de atuação gerencial nas organizações.

Tal contexto exige profissionais de todos os níveis capazes de identificar e resolver problemas, tomar decisões rápidas e acertadas sob pressão, que sejam capazes de gerenciar a si mesmas, de aprender sempre e trabalhar de acordo com um contínuo processo de mudança organizacional e educacional.

Sendo assim as competências exigidas nas organizações nas chamadas “sociedade do conhecimento” e da “inovação” tem a possibilidade de ser desenvolvidas mediante um processo de educação continuado visto que os desafios da trajetória humana exigem uma perspectiva multivariada e criativa. Esta inclui a necessidade de se desenvolver habilidades e competências técnica aliadas a competência emocional para que todo o processo de mudança seja consolidado tanto no contexto organizacional como pessoal.

Competência emocional, aptidões intrapsíquicas ou intrapessoais são aptidões voltadas para dentro, isto é, autoconhecimento. É a capacidade de formar um modelo preciso, verídico, de si mesmo, e usá-lo para agir eficazmente na vida.

Este auto conhecimento, dá acesso aos próprios sentimentos e habilita discriminá-los e usá-los para orientar o comportamento. Contudo, individualmente cada um tem que fazer sua própria escolha do quanto e quando deseja investir neste empreendimento que é muito particular.

O desenvolvimento das aptidões intra e interpessoais resulta na aprendizagem coletiva, condição desejável na criação de um ambiente onde possa fluir a aprendizagem organizacional, que é a forma como a organização utiliza a capacidade de aprendizagem permitindo que novas informações se convertam em inovações e se tornem o diferencial para a retenção de talentos.