Carmem Maria Sant’Anna

O Autoconceito do aprendiz adulto

A Experiência de dar aula para adultos tem algumas delicadezas que chamam a atenção.

Como dar aulas para o público adulto saindo do paradigma do ensino tradicional?

O adulto tem uma caminhada de vida pela experiência que adquiriu. Cuida de sua família, educa seus filhos. Compra e vende, vota, atua na sociedade como cidadão. Desenvolveu um autoconceito de si mesmo como alguém apto para conduzir sua vida com responsabilidade e autonomia.

No contexto atual, cada vez mais as salas de aulas no ambiente corporativo e educação formal são compostas por adultos e profissionais que são público dos programas de T&D, atualização profissional e cursos de novos processos nas empresas.

O que acontece às vezes quando esses adultos são convidados a participar de cursos e treinamentos no papel de aluno? Temos a sensação que em alguns casos eles parecem entrar numa confusão: “Como ser aluno se sou adulto?”. Não nos parece que esse seja um pensamento consciente.  Qual a origem desse pensamento paradoxal?

Em nossa experiência temos notado comportamentos de alguns adultos em sua chegada à sala de aula que nos permitem formular a hipótese de que tem a ver com memórias estressantes de ambientes convencionais em sala de aula, treinamentos e ambientes de aprendizagem onde foram tratados como dependentes ou como crianças.

Atitudes como brincadeiras barulhentas, desorganização ao encontrar um lugar para se sentarem, piadinhas e implicâncias com colegas, agitação que parece revelar ansiedade e desconfiança. No primeiro momento dá a impressão de que esses adultos voltaram à sua infância. A pergunta que talvez, sem entender muito bem, queiram responder é: “Como devo me comportar em sala de aula? Como aluno(criança) ou como adulto?”.

Antes de entrarem na sala de aula podem ir com um pensamento: “Acho que vai ser muito chato ficar o dia todo aqui nesse lugar”. Entram apreensivos e encontram um professor fazendo longas exposições de cima de um tablado diante de uma turma de participantes sentadas um atrás do outro. Ou uma vídeo aula composta de intermináveis slides. Pronto! Suas suspeitas se confirmaram! “Vai ser chato”.

O facilitador habilitado a trabalhar com adultos faz um manejo em sala que desconstrói as suspeitas dos alunos a partir de novos paradigmas, levando em conta princípios da Andragogia.

Dicas práticas para ajudar os alunos a se localizarem em sua identidade de adultos:

Saiba que com essas estratégias os alunos tenderão a vencer sua ansiedade e você também! A partir daí há alta probabilidade de boas condições para conduzir a aula, contando com a colaboração de todos por estarem convencidos de que podem ser alunos e também adultos a partir dos paradigmas da Andragogia.

Gostaria de saber mais como fazer para aplicar os princípios da Andragogia? Venha fazer o curso de Andragogia.

Andragogia e Análise Transacional

Andragogia definida por M.Knowles “é a arte e a ciência de apoiar adultos a aprender”. É na essência um estilo de vida, sustentado a partir de concepções de comunicação, respeito e ética, através de um alto nível de consciência e compromisso social.

Esta definição coincide com princípios e objetivos da teoria da Análise Transacional tais como:

Autonomia que se baseia no fato de que toda pessoa pode aprender a confiar em si mesma, a pensar por si mesma, a tomar suas próprias decisões e a sentir e compartilhar suas emoções. Conforme diz Eric Berne, autor da teoria, uma pessoa verdadeiramente autônoma é aquela que conseguiu “liberar ou recuperar três capacidades”.

Fundamentos da autonomia

Consciência

Significa que além de conhecer a si mesma, a pessoa consciente conhece de tal modo sua história passada que é apta a não a repetir. Ela usa seus sentidos a fim de estar em sintonia com os acontecimentos atuais de sua vida.

Espontaneidade

A pessoa espontânea está apta a fazer opções. Tem suficiente autonomia para escolher seu comportamento.  Seleciona apenas o que é construtivo em sua programação passada e se desfaz do que é destrutivo.

Intimidade

Tem capacidade para viver momentos de sinceridade e afeto com os outros, o que permite relacionamentos construtivos e gratificantes baseados no respeito mútuo.

O que tudo isto tem a ver com a Andragogia? Lindeman (2009) concebe a Andragogia como: “[…] um processo por meio do qual o adulto se torna consciente de sua experiência e a avalia. (LINDEMAN, 1926 apud KNOWLES, 2009, p.40-43)

Dentro desta definição o autor destaca as seguintes suposições básicas:

Com base nessas suposições, Knowles formulou os seis princípios da Andragogia.

  1. Necessidade de saber;
  2. Autoconceito do aluno;
  3. O papel da experiência;
  4. Prontidão para aprender;
  5. Orientação para a aprendizagem;
  6. Motivação.

Para efeito de nossa conversa neste texto, vamos concentrar nossa atenção nos dois primeiros princípios conforme delineados por (Knowles, 2009, p.67) como segue:

Precisamos responder à pergunta: Por que preciso aprender o que você está querendo me ensinar?

“Os adultos são motivados a aprender conforme vivenciam necessidades e interesses que a aprendizagem satisfará” (KNOWLES, 2009, p. 44).

O adulto precisa saber primeiro por que ele precisa saber algo que lhe será ensinado. Ele precisa saber a utilidade, que problema dele será resolvido ao desenvolver determinada atividade ou habilidade. Essas questões inconscientes esclarecidas produzem a motivação para o adulto querer aprender. Isso implica Autonomia.

A pergunta que está na mente e no coração do aluno é: Como posso ser adulto e aluno?

Os adultos possuem em autoconceito de ser responsáveis pelas próprias decisões, pelas próprias vidas. Sendo assim, surge a necessidade de preencher forte necessidade psicológica de serem vistos e tratados como capazes de se autodirigir.

Isso traz um desafio para a educação de adultos, pois o adulto, ao se envolver numa atividade educacional, tende a regredir ao condicionamento de suas experiências escolares anteriores, coloca o chapéu de dependente, cruza os braços, encosta-se na cadeira e pensa “ensine-me”.

Essa suposição de que ser aluno é ser dependente, combinada ao tratamento dos adultos como se fossem crianças pelo facilitador, confirma suas expectativas de que ser aluno é ser dependente.  Isso gera um conflito dentro do adulto de como atender sua necessidade psicológica de se autodirigir.

Se o facilitador tem os conhecimentos da teoria da Análise Transacional, tem um excelente recurso para entender como sua postura contribui para este comportamento do aprendiz e o que fazer para evitá-lo.

O modelo da Andragogia é um sistema de elementos que pode ser adotado por completo ou em parte. Uma característica essencial da Andragogia é sua flexibilidade.

Ao conhecer e aplicar em sua prática docente os conceitos da Análise Transacional, o professor tem opções para criar um ambiente que permite o adulto a participar ativamente do seu processo de desenvolvimento mediante a compreensão e escolha consciente de mudança de fatores pessoais, emocionais e de conduta numa relação OK/OK.

Os conceitos apresentadas no texto e a forma de atuar na prática da Andragogia aliada à teoria da Análise Transacional em sala de aula podem ser desenvolvidas nos cursos abertos da SK.

Carmem Sant’Anna

Qual o significado de Andragogia?

Andragogia é a arte e ciência de apoiar o adulto a aprender. É uma teoria da educação de adultos que dá suporte ao processo de ensino aprendizagem. Seus pilares são as concepções de comunicação clara e efetiva, através de um alto nível de consciência e compromisso compartilhado entre facilitador e aluno.

A Andragogia se destaca por sua profunda adequação a todos os ambientes de aprendizagem: presenciais, online e híbridos.

As ideias sobre as diferenças de aprendizagem entre crianças e adultos começaram a ser sistematizadas já em 1926 a partir das pesquisas de Eduard Lindeman, que identificou particularidades sobre a aprendizagem do adulto:

Os adultos são motivados a aprender conforme vivenciam necessidades e interesses que a aprendizagem satisfará; a orientação dos adultos para a aprendizagem é centrada na vida; a experiência é a fonte mais rica para a aprendizagem dos adultos; os adultos têm uma profunda necessidade de se autodirigir; as diferenças individuais entre as pessoas aumentam com a idade. (KOWLES, 2009, p.45)

O modelo da Andragogia é pautado em 6 Princípios fundamentais elaborados por Knowles. Cada um dos Princípios traz mais do que reflexão para o facilitador, eles são no conjunto uma ferramenta para a construção das ações de aprendizagem para adultos. Os Princípios são um grui para criar uma experiência de aprendizagem que de fato coloque o foco do aluno como prioridade.

Os 6 Princípios básicos da Andragogia:

  1. Necessidade saber
  2. Autoconceito do aprendiz
  3. O papel das experiências
  4. Prontidão para aprender
  5. Orientação para a aprendizagem
  6. Motivação para aprender

Para atender esses Princípios o facilitador na Andragogia utiliza estratégias metodológicas e ferramentas práticas visando o envolvimento do aluno em aprendizado que faça sentido para a vida.

A Andragogia, não se resume aos Princípios, mas possui um conjunto completo de ferramentas à disposição do facilitador:

Um programa de treinamento ou mesmo uma aula única quando construída com essas ferramentas tem maiores chances de engajamentos dos alunos, retenção dos aprendizados, aplicação efetiva dos aprendizados e sem dúvida contribuem para transformar os investimentos em treinamento em resultados para pessoas e empresas.

Venha conferir a Formação de Facilitadores – Andragogia e Ambientes Virtuais da SK e aprender com um curso mão na massa a colocar a Andragogia em prática.

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